segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Política à escala "um por todos" todos a nenhum

Enquanto os olhos do mundo se centram ávidos na corrida eleitoral dos EUA, nós por cá, temos já o resultado das eleições legislativas regionais nos Açores. E se o interesse nas eleições presidenciais norte-americanas refere ao vencedor, no caso nacional, não interessa a este artigo a vitória partidária das legislativas, antes a vitória percentual e honestamente, imoral!

Há cerca de uma semana, retive de uma reportagem sobre a corrida eleitoral das legislativas, as palavras de uma açoriana, que questionada sobre a sua afluência às urnas, ou seja, se ia ou não votar, responde: "Não, não vou. Não sou muito dessas coisas..."

Portanto, creio que ela e os restantes 53,24% de abstenção dos açorianos, reflectem um: "não sou muito dessas coisas..." E meus amigos, isto é grave. Muito grave, para aqueles que como nós acreditam ainda em utopias como liberdade, democracia e atrevo-me a dizê-lo; socialismo - e é Proudhon (por lapso tinha escrito Proust, peço desculpa. Influências das matérias leccionadas...), não Marx quem evoco nesta alusão. Porque estes 53,24%, são "sinónimo" dos 35,74% das legislativas de 2005. Estes valores reflectem uma grande maioria de pessoas que, não sendo muito dadas a estas coisas, nem tampouco devem sequer preocupar-se com a competência - ou falta dela - de quem os governa.

É assim, meus amigos, que elites de "amiguinhos" chegam ao poder e trocam favores, à pala do suor do mexilhão, quer do eleitor, quer do abstinente. Que votar, não vota, mas para se queixar e pedir melhores salários está lá ele, o abstinente, que "não é dessas coisas..." E depois, PS e PSD, com as suas elites de amigos e influências em conjunto com mais alguns votos dos parvos - e uso aqui a palavra, não numa lógica depreciativa, mas no seu sentido etimológico - que "são dessas coisas", ganham eleições e aqui andamos nisto, ganho eu , ganhas tu. Merda eu, merda tu. Estabilidade é que não. Porque há-de vir de lá o Encoberto e nesse não é preciso votar, está predestinado, portanto há-de lá chegar.

Mas vamos desinteressar-nos "dessas coisas" e deixar o nosso futuro e o dos "nossos" filhos, entregue a uma elite de ténias, que anda é a dar reformas ao filhinhos, deles e dos amigos. Gastando o dinheiro dos contribuintes em futilidades e outros destempos de antena. E pergunta o pobre reformado mas para onde foi todo aquele que eu amealhei durante anos? Eles comem-no e não deixam o pobre povo engordar. Porque um significativo número de quase metade da população - portuguesa - "não é dessas coisas..."

E apenas um "pequeno" detalhe para finalizar, minha senhora que "não é muito dessas coisas..." Houve muitas mulheres que lutaram e escalaram mil Everestes para ganhar entre outros o direito ao voto e mesmo assim, ainda há tantas discrepâncias e discriminação e no final, você afinal "não é muito dessas coisas..."

Estava quase que dado a terminar com aquele aforismo de Edmund Burke:
"Para o triunfo do mal, basta que os bons não façam nada."

Mas vou antes terminar com esta:
"Ninguém comete erro maior do que não fazer nada porque só pode fazer um pouco."

3 comentários:

Mary disse...

Eh pah koky...em grande!!

Não há nada que me irrite mais do que aquelas pessoas que não vão votar mas depois são as primeiras a abrir a boca para se queixar de que tudo está mal e que assim não pode ser.
Se não votam, se não participam activamente como podem depois vir exigir?...

De resto... falar de política dá sempre pano pa mangas... fico-me por aqui.

Gosto do post, muito bom! ;)

(Z) disse...

http://cafe-mondego.blogspot.com/2008/10/aprofundar-democracia.html#links

(Z) disse...

Não sei se já ouviste falar do Américo Rodrigues, animador cultural no melhor sentido etimológico que ânimo pode ter ;) Conhecido internacionalmente, e até nesse longínquo país chamado Portugal, pela poesia sonora... e não só! Encontrei este blog dele, com esse pequeno texto que vai um pouco de encontro ao teu.. eu só andava à procura do medicamento: Auto-Estima-te. Já ouviste falar?